Wednesday, April 19, 2006

Post scriptum

What do I know about tenderness? If happiness came today I think I wouldn’t know what to do with it.

(Photography: Rome, Italy, March 2nd 2006)

© All rights reserved.

12 comments:

Susie said...

O carinho é a forma mais súbtilde felicidade... e mais fácil de digerir...porque vem em doses pequenas!
:D

Rux said...

Se a felicidade te chegasse agora, neste preciso instante, nao sabias o que fazer dela???? não digas isso meu amigo, nao sejas assim....tão amargo contigo mesmo. Sabias de certeza o que fazer, o teu coração dir-te-ia o que fazer, acredita. Mas, para isso, tens que abrir esse teu coração fechado, e estar receptivo às oportunidades que a felicidade te cria para entrar na tua vida...

Ana said...

Acho que nunca sabemos o que fazer com ela... Talvez seja por isso que dizemos coisas tontas nesses momentos. Talvez seja por isso que sorrimos, também, em vez de falarmos.

Anonymous said...

e é preciso saber?
não basta que chegue?
tiago

Celso Rosa said...

Caro amigo.
Claro que não basta que chegue o momento! É sempre necessário saber o que fazer... Senão imagine-se alguém que se perdeu no deserto e durante dias não teve o que comer e beber. De repente é encontrado e dão-lhe alimento e líquidos à descrição. É necessário que esse alguém saiba o que fazer (ou que outro alguém o aconselhe), pois dadas as privações porque passou esses alimentos e água, consumidos sem regra, podem ter consequências nefastas...
Mas o que escrevi foi uma metáfora; foi também no sentido de que tantos de nós estão já tão habituados a viver com muito pouco e, pior, acreditam já com tanta certeza que não merecem muito mais, que quando lhes é dado acesso ao que um dia tiveram a ousadia de desejar (à felicidade, talvez, pelo menos temporáriamente), engasgam-se, deslumbram-se, falta-lhes o ar, embriagam-se na posse do que julgaram nunca poder vir a ser seu, e o resultado é, regra geral, triste e desastroso. Basta tomar atenção nos milhares de pessoas que por esse mundo fora, e em Portugal também, vivem quase sem nada e nem têm consciência dos direitos que possuem, como humanos, e por isso não se queixam e até já se esqueceram, muitos, de que a vida não teria de ser assim. Neste sentido tenho adorado ver as contestações em França! Regozijo-me com cada carro estilhaçado, com cada invasão, com cada manifestação (desde que não perpetrados por infiltrados com o único intuíto de estabelecer o caos).
É preciso dizermos a esses senhores que o que planeiam para nós é absolutamente diferente daquilo que guardam para si, e que por isso não aceitamos. É preciso começar a acreditar que também cada um de nós possa vir um dia a ser feliz, para que caso esse dia chegue não destruamos essa felicidade por nunca termos aprendido como lidar com ela. Não seremos brutos desdentados a comer de faca e garfo!
Enfim... estamos tão habituados a que nos virem a cara que quando na rua alguém nos sorri achamos estranho.
Abreijos

Celso Rosa said...

Hoje estou embalado, tenho tempo, e por isso ainda vou dizer mais qualquer coisa. Mas atenção, isto não se trata de uma crítica, mas tão somente uma reacção à pergunta que eu desejava que me fizessem e que tu finalmente fizeste!
É como com a ternura! Que ternura pode demonstrar quem nunca a sentiu vinda de outrem? Que iniciativa pode demonstrar alguém a quem nunca foi dada importância? Que amor pode sentir quem nunca soube o que é ser amado? Que esperança, por consequência, pode ter alguém que se habituou a não esperar? Faço-me entender? Eu não sou diferente...
A questão é, sob uma grande variedade de perspectivas, que é talvez chegado o tempo de agir! Já nem digo de acreditar que a acção produza efeitos, mas tão somente de agir, para depois podermos pensar sobre as consequências dessa acção.
Por mim digo que estou cansado e farto! E sonho que fossemos mais. Sinto que é mais que chegada a hora de dizer a esses senhores que nos dirigem e governam, que a vara com que nos batem nas costas para nos orientar no caminho começa a aleijar! Começa a doer! E ainda que nada nunca se altere, fazê-los talvez pensar na possibilidade (ainda que remota) que essa vara lhes seja retirada das mãos e de se encontrarem na situação inversa! Como seria? Faríamos o mesmo? Lá está, estaríamos preparados para esse momento caso ele chegasse?
Somos como a BELINDA da foto, de certa forma... Temos ainda pernas para andar e fazer o que nos mandam, mas já não temos cabeça para pensar demasiado. Temos de voltar a ser inteiros! Cada um de nós tem a obrigação de voltar a acreditar em si, de começar talvez a lutar, a crescer como ser humano. Temos talvez de esquecer as tretas moralizadoras que desde crianças nos enfiaram na cabeça sobre o bem comum e a humildade! Temos talvez de levar em consideração ideias como as de Marx quando defendia que o bem comum só advirá do individualismo, da preocupação de cada um em crescer, pois só assim o todo sairia beneficiado - com a realização das partes!
Agora sim, estou vazio...

Abreijos a todos.

Anonymous said...

Meu Amigo Celso:
a única coisa que eu queria dizer é que quando a felicidade chega (ou nós chegamos a ela) isso já é suficiente. Basta estar lá. E, pelo menos no meu caso, quanto mais depressa a começo a questionar (meaning: o que faço agora com ela?) mais depressa ela se esfuma.
Se bem te entendi nas tuas 2 respostas, referias-te mais ao caminho para lá chegar do que à experiência propriamente dita da felicidade; e era a esta última que eu me referia.
Abraço
Tiago

Celso Rosa said...

Uma coisa é certa, são estas trocas de ideias a razão de ser de um blog! Fantástico! Aqui sim, pode-se ter uma conversa. Cada um pode dizer o que entender sem receio de ser interrompido. Um abraço blogista/blogueiro.

Anonymous said...

sim, e cá em casa também :)
a sónia e eu gostamos de te ter por cá
abraços
tiago

Ana said...

Tenderness is also the look in your eyes.

Abílio Neto said...

Caro Celso,

Tem-me acontecido que só me apercebo dos momentos de felicidade após eles terem acontecido, prefiro que seja assim... sempre me fez confusão entender a felicidade no presente, como algo actual, com o qual se tenha de lidar no momento! Prefiro, para não estragar o momento da percepção e para não me sentir idiota, não confundir a felicidade com a ternura. Se calhar, sou um idiota por fazer essa opção.

Continua.

Abraços,

Abílio Neto

Celso Rosa said...

Há momentos em que também eu reconheço ter sido feliz. Com isto quero dizer que é normal reconhecermos a felicidade a posteriori. E ainda bem que assim é, não fosse dar-se o caso de a cada momento desses, conscientes nós da sua importância, nos engasgarmos e hiper-ventilarmos a cada palavra, nos perdermos em cada gesto. Imagina que alguém, algum dia, chegaria ao pé de ti e dizia: "Amanhã entre as 18.00 e as 23.42 vais ser imensamente feliz! Vais viver algo inesquecível!". Que achas? Seria um pouco como se alguém nos dissesse que nos iriam operar sem anestesia...
Há coisas que ainda bem que só nos damos conta depois, que requerem algum distanciamento para se poderem consolidar. Assim vivemos o bom sem o estragar (tanto), e passamos pelo meu sem sofrer desnecessariamente.
No entanto, devo confessar que em duas situações na minha vida me senti imensamente feliz e disso tive consciência. E sabes o que aconteceu? A consciência dessa mesma felicidade trouxe com ela a certeza de que a mesma iria diminuir. E então uma certa melancolia invadiu-me, como se o que me restasse fosse aguardar o seu fim e tentar identificar os sinais de que esse fim estaria próximo. Mas, felizmente, ainda me dei conta disso a tempo de procurar aproveitar em pleno essa felicidade que se me ofereceu.
Um grande abraço.