Tuesday, March 04, 2008

O teu nome


Nesta noite metálica, verde, azul e prateada de lamparinas acesas ao acaso em passeios de pedra, noite em que as aves diurnas navegam sobre as nossas cabeças num céu lilás escuro sem querer repousar, eu escrevo o teu nome. Escrevo o teu nome em paredes brancas de cal, no meio de uma multidão embriagada de festa que passa por mim com garrafas de espumante nas mãos, com chapéus coloridos e serpentinas. Hoje é a noite de todas as noites. Hoje ouvem-se aqui gritos de alegria, risos, rolhas que saltam de garrafas. Hoje ouvem-se aqui buzinões nas avenidas e toda a noite se vestiu com os reflexos do dia. Como um animal único, hoje milhares de pessoas enchem as principais artérias da cidade aos saltos, abraçando-se e beijando-se em promessas secretas e apenas intuídas. Eu escrevo o teu nome pela cidade, nas paredes, nos bancos de jardim, mesmo no meio da estrada. Escrevo o teu nome e sorrio. Escrevo o teu nome e rio à gargalhada. Escrevo o teu nome e peço a quem passa para me fotografar junto dele, de braço dado, como amantes que ainda somos.

(Fotografia: Vaticano, Março de 2006 / Texto: Coimbra, Portugal, 4 de Março de 2008)

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3 comments:

Natacha said...

Intenso... como tudo o que te leio...

RUX said...

"Em todas as ruas te encontro... Em todas as ruas te perco..."

abc

pati said...

everything what i read, everything what i see have a name: sensibility

Thanks for your comment! :)